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Você já se perguntou por que escolheu o seu time de Coração?

26/11/2017

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Evandro Colen 

A maioria de vocês pode falar que escolheu por causa dos Pais, mas encontramos em várias famílias torcida totalmente divididas, ou até famílias que um único membro é da torcida contrária. Daí vem aquela máxima de que já nascemos com o nosso time gravado no coração. Outros dizem que o excelente momento do time e as que conquistas de vários títulos atrai mais torcedores. Pode até ser, mas se fosse só isso, não teríamos estádios lotados com times que são rebaixados.

Certo é, que trocamos de partido, de religião, de marca de carro, de sabor de cerveja e até de esposa, mas dificilmente encontramos um torcedor que trocou de time, não é um fato a ser estudado? Temos aqueles extremistas que ao serem consultados sobre fazer uma escolha, entre a mulher ou time, eles sem titubear, apontam para a tatuagem do time no peito e onde não se acha o nome da mulher em nenhum lugar do corpo. E o que o seu time te traz de bom na vida a não ser o fato de vencer os adversários? principalmente o arque rival. O prazer em ser melhor do que outro nos faz mais feliz e aumenta nossa autoestima, mesmo que você não fez nada de concreto para influenciar naquela vitória, apenas a sua torcida é suficiente para te autorizar a fazer parte daquela conquista. Pena que o dinheiro que recebem pelo título é divido apenas pelos jogadores e para a estrutura do clube, infelizmente nada chega aos milhares de camisas 12, a eles cabe vibrar e gozar o adversário.

O mundo globalizado, a tecnologia e o marketing contribuíram para muitas mudanças radicais em várias áreas, inclusive nos clubes de futebol, foram criados vários cargos dentro da estrutura do time, cartão sócio torcedor e várias outras inovações. Os jogadores, diferente do passado, se tornaram atletas profissionais e a maioria perdeu a identidade com o clube, porém a torcida age da mesma maneira, muito pouco mudou, podemos ver algumas mudanças no perfil do público pagante, visto que o aumento no valor dos ingressos restringiu o acesso de torcedores menos favorecidos. A agressividade que observamos em todos estádios é um reflexo da sociedade e não do torcedor em si. Pagamos pela camisa do nosso time mais de 250,00, ostentando ainda logomarcas de bancos, supermercados, montadoras e toda a espécie de publicidade que nos faz um outdoor ambulante, enquanto isso jogadores, técnicos, diretoria e comissão técnicas recebem valores que não são condizentes com a realidade do País, mas lá estamos nós, pagando ingressos, comprando camisas e torcendo loucamente pelo time do coração.

Mas precisamos de “pão e circo”, ainda mais quando o “pão” está tão difícil. A partir do momento em que colocamos o nosso manto sagrado todos os nossos problemas ficam para trás, esquecemos nosso chefe chato, isso quando temos emprego, de outra forma, nem lembramos que estamos desempregado, o gerente do banco não liga para te lembrar que você precisa fazer um depósito, pois a conta está no vermelho, mas ainda deu para comprar o ingresso, isso é o que vale. O condomínio, a mensalidade da escola, IPTU e o IPVA que estão atrasados, tudo ficou para trás, o que vale mesmo é o momento. Naquele lugar sagrado podemos xingar a mãe do juiz e dos bandeirinhas, chamar o técnico de burro e aos berros mandar o jogador correr e marcar um gol, e marcando podemos pular, gritar e até abraçar o torcedor ao lado, que nunca vimos na vida, um momento de apoteose que nenhum divã e tão pouco o uso de remédios consegue produzir tal sentimento de euforia.  

Revendo meus conceitos, acho sim que o jogador recebe o que merece, pois ninguém consegue passar uma mensagem com tanta sabedoria após uma derrota como faz um jogodor entrevistado ao final da partida, demonstra esperança e os o caminho s que precisamos traçar para chegar a vitória, “O importante agora é levantar a cabeça e retomar a confiança, rever os erros e batalhar para um ambiente harmonioso entre os colegas... e a vida é assim, um dia se perde e outro se ganha, trabalhando sério uma hora as dificuldades passam e a gente volta a perseguir a liderança, o importante é não desistir nunca”. E olha que tem time que o jogador repete este mantra quase todo jogo. Em lugar algim encontramos tanta sabedoria resumida de forma tão real.

Como dizia o filósofo cafunga, “O errado é que tá certo, e são os contraditórios que fazem o mundo girar”.